Por Dani Guardini
Delicadeza e liberdade. Assim resumi em duas palavras o que vi nessa semana de design de Milão que aconteceu de 18 a 23 de abril. Esse evento que acontece anualmente, foi criado em 1961 e tem mais de 210mil metros quadrados e 2,300 marcas expondo seus mais novos produtos. Durante os 6 dias de feira, passaram por lá mais de 307mil pessoas. Além do Salone Del Mobile, que é gigantesco, Milão fervilha design durante essa semana em diversos eventos paralelos que ocorrem pelos principais bairros da cidade como Brera, Manzoni, Tortona… Por todos os lados, vemos instalações e eventos voltados ao design acontecendo!
Já estive na feira de Design de Milão diversas vezes e é sempre mágico! Muita inspiração. Muita novidade, muitas coisas bonitas para abastecer nosso repertório e recarregar nossas mentes criativas! Foi uma semana incrível e vou dividir com você aqui, um pouco do que senti como uma tendência na decoração. Mas antes de continuar, preciso abrir um parêntese: acho importantíssimo estarmos alinhados sobre o que é tendência.
Existem 2 tipos de tendência que é importante a gente diferenciar: a Tendência de modismo, do “Está usando….” e a Tendência da evolução. Evolução tecnológica e comportamental. As tuas tendências meio que se entrelaçam, mas precisamos treinar nosso olhar e ter a clareza da existência de ambas para que possamos separar uma da outra e entender a importância dessa distinção. De uma maneira geral o que mais distingue ambas é a durabilidade. A tendência de modismo, é mais ligada ao mundo fashion, e são mais datadas – São aqueles itens que “estão usando” e que depois de pouco tempo fica “for de moda”, antiquados, com cara de antigo, é uma tendência mais passageira. Já a tendência de evolução, é atemporal. Faz parte do caminho natural do ser humano de criação, adaptação a coisas novas e avanços tecnológicos.
É essa tendência que nos traz progresso e direcionamento para o futuro, está ligada a comportamento humano e inconsciente coletivo, e está associada a itens que vão fazer parte das nossas vidas por muito mais tempo.
A cor do ano é uma tendência de modismo – Eu não me prendo a esse tipo de tendência. Sempre que alguém me pergunta qual a cor ‘’está em alta” ou qual cor “está usando” na decoração, minha resposta é sempre a mesma: “A cor da moda é a cor que você gosta!”
Design biofílico, por outro lado, é uma tendência evolutiva – não sai de moda. Não existe a possibilidade de se falar daqui uns 4 ou 5 anos: Ahhh não está mais usando plantas dentro de casa…. Aliás, falar de biofilia, é um assunto que me fascina… Quem sabe falo sobre isso na minha próxima matéria aqui para a revista.
Quando falamos da feira de Milão teremos um pouco dos dois universos da tendência, tanto a de modismo quanto a de evolução. O importante não é distinguir uma da outra e sim entender a diferença entre elas e principalmente entender o que faz sentido para você e o que se encaixa na sua essência e na sua personalidade.
E porque resumi as tendências de Milão 2023 em delicadeza e liberdade?
Delicadeza, pois, percebi que as peças e o design estão literalmente cada vez mais delicados. O design está ainda mais clean e simplificado de uma maneira muito elegante. Estruturas mais delgadas, materiais visualmente mais leves. Sinto uma certa poesia no ar….
Uma delicadeza acompanhada de uma certa simplicidade. Onde se nota que muitas coisas não são necessárias …. são supérfluas, vazias de significado. Menos é mais, mas sem ser aquele minimalismo impessoal. Apenas, ser simples por essência. Menos adornos, menos enfeites para preencher um vazio que não precisa ser preenchido, a não ser que aquilo faça sentido para nós, conte uma história e tenha significado.
Os sofás estão soltos do chão, braços finos e as vezes até sem braços. Estantes em aço com as prateleiras bem finas e resistentes, luminárias com cabos elétricos que quase não se notam. Os LEDs cada vez menores e mais delicados, trilhos e fitas extremamente finos. Muitas vezes vemos a luz e nem notamos a peça. E o que impressiona é que na mesma proporção que estão cada vez menores, a luz não perde potência nem a eficiência.
Liberdade, pois, percebi que tudo está mais leve, mais democrático, mais livre mesmo. As formas e formatos estão menos rigorosos, menos uniformes. Vi vários móveis amorfos – sem um formato definido e nada simétricos.
Vi muita mistura, de cor, de textura, de elementos. Sem padrão ou rigidez. Meio que “deixando as coisas acontecerem”. Sinto que assim como na moda, a decoração está cada vez mais personalizada, refletindo a personalidade do morador ou da marca. Menos atrelada a conceitos ou as tendências de modismo e mais sintonizada com a essência de cada um que usa o espaço. Ou seja, mais livre para expressar os sentimentos, as intenções e as vontades de cada um.
Vi muita cor. Isoladas e muitas vezes misturadas. Tons terrosos e o marrom que estava esquecido na gaveta, apareceu em várias oportunidades, desde tecidos a couros e camurça. Acredito que veremos mais marrom nos móveis nas próximas temporadas. A cor, vem atrelada a liberdade também. Desde os tons pastel até os mais vivos e brilhantes. Cada vez mais independente da paleta definida pela “cor do ano” e mais ligada a “cor que te agrada”
Liberdade e delicadeza foram duas características que me marcaram na semana de design de Milão 2023. E vi muitas outras coisas que eu poderia ficar aqui compartilhando por horas. Design me fascina e me emociona. Eu sei o quanto um ambiente bem decorado pode transformar o humor, a produtividade e a saúde física e mental de uma pessoa. Um assunto de extrema importância que quero dividir aqui com você. Mas esse assunto vai ficar para a próxima edição!

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